Dear Science

Bom dia,
Não sei se é dos meus ouvidos mas o novo álbum dos TV on the Rádio é qualquer coisa de fenomenal, como aliás já o era o anterior. Já ouviram?! Se ainda não, estão à espera de quê? Uma das músicas – DLZ - anda a dar comigo em maluco.

Desculpem lá o desabafo! :P

Scarlett Johansson?

Quem diria? Scarlett Johansson está a finalizar um disco de versões de músicas do Tom Waits. Já tinha conhecimento do facto há algum tempo - não era propriamente segredo. Muito pelo contrário, o assunto andava a ser seguido já há muito tempo, por muita gente. Mas a minha incredulidade fez de mim refém e do assunto tabu. O mínimo que se pode dizer da menina é que, para além de ter uma carinha laroca, tem também bom gosto. O que faltava mesmo era saber se tem jeito. Não quis falar antes de ver, mas agora já não tenho mais desculpa. Algumas faixas do álbum foram disponibilizadas no site da artista, e podem ser escutadas na integridade. Para mal dos meus pecados. Não que tenha desgostado, mas estava muito mais descansado sem ter de pensar se gostei ou não. Uma coisa eu garanto: vale a pena ouvir. A mais não me comprometo.

Já não sou muito dado a críticas, mas isto assim já é um abuso. A minha afeição pelo Tom Waits e pela carinha laroca colocam-me numa posição demasiado delicada para poder saber o que dizer. Fico-me pelos factos. O álbum intitula-se Anywhere I lay my head, e será lançado no próximo dia 20 de Maio. Alguém meteu o David Bowie ao barulho, e convenceram-no a contribuir com alguns "uhs" e "ahs" (palavras dele) em alguns temas, incluindo o single Falling Down. Os links estão aí, inclusivé o original. O resto é convosco.

Scarlett Johansson - Falling Down (stream)



Tom Waits - Falling Down (stream)

Idaho (ou a crónica duma guerra com o google)

Faz hoje um mês que os Idaho actuaram em Grenoble. Até me terem recomendado este concerto, pouco ou nada sabia sobre eles e as várias pesquisas que fiz no google, com diferentes combinações de termos, revelaram-se pouco frutíferas. Este é definitivamente o nome ideal para uma banda que prentenda manter-se longe de olhares indiscretos. Fora o site oficial, pouco mais se consegue encontrar que diga respeito aos Idaho (banda) e não ao estado. A ausência de informação é terreno infértil para a geração de preconceitos mas espicaça a curiosidade. E eu sou um tipo curioso.

A primeira parte esteve a cargo de Julia Kent, uma violoncelista solo, adepta do famigerado método suzuki, cuja performance apenas serviu para aumentar a minha estima e consideração pelo trabalho do Andrew Bird.

Os Idaho finalizaram aqui a sua tourné europeia começada ainda no ano passado. Já bem rodados, deram um show quase familiar, bem ao meu gosto, para uma plateia que não ultrapassava as 100 pessoas (porque não cabiam mais). Não me vou esticar na análise, muito às custas da minha ignorância geral sobre as músicas, mas também porque deixo aqui os registos em vídeo. A inércia também pode desempenhar uma parte, mas a verdade é que assim poderão fazer a vossa própria avaliação. Mais uma vez derrotado nas pesquisas google, não consegui descobrir o nome das músicas para completar a informação nos vídeos. Agradeço portanto qualquer ajuda que me chegar às mãos. Entretanto o vocalista - o Jeff (é assim que a gente se trata) - escreveu-me a pedir essa mesma gravação, em troca duma em formato áudio. Respondi-lhe que se eu soubesse que eles estavam assim tão à vontade com gravações do público, talvez os vídeos não tivessem saído tão tremidos. Fica para uma próxima.

Chan Marshall

...ou Cat Power, como preferirem, acrescentou a Europa ao seu roteiro de viagens e vai começar logo por Portugal com 2 (duas!) datas: Lisboa e Porto, por ordem cronológica. Os concertos vão ter lugar nos respectivos Coliseus, nos dias 26 e 28 de Maio. Acompanhada pelos The Dirty Delta Blues, a Mrs. Power vai apresentar Jukebox, um trabalho onde re-intrepreta canções de Bob Dylan, Joni Mitchell ou Nick Cave se tiverem a sorte de encontrarem a edição com o CD bónus. Há também canções fresquinhas para quem preferir: Song for Bobby e Metal Heart. Não é a primeira vez que Cat Power edita um album de covers, já o havia feito antes, e melhor - digo eu - em The Covers Record. Mesmo assim, não é desculpa para perder esta(s) oportunidade(s). Se ainda assim tiverem com dúvidas, ouçam o tema abaixo. É remédio santo.



Radiohead 2.x (revoluções à parte)

Aquando do lançamento de "In Rainbows", os radiohead dividiram o mundo mediático em duas metades: os que apenas regorgitavam a palavra "revolução" sem sentido e pela enésima vez, e os que aproveitaram para falar também das músicas enquanto o faziam. Por mim, saquei o album a custo zero e a única diferença entre esse e outros, é que este me deixou a consciência um pouquinho mais pesada. Não tanto como quando soneguei o album dos Vangelis da coleçcão da minha irmã e o leiloei no liceu, mas quase.

A verdade é que o golpe de marketing, se é que era para ser isso, inicialmente funcionou bem. E depois funcionou bem demais. Para quem, como eu, durante uns meses não conseguiu ver senão a poeira à frente dos olhos, fica a informação de que a opinião generalizada sobre o album foi bastante positiva (aqui), o que por si só já dizer algo. Não sei bem o quê, mas diz. Ademais, a única crítica menos favorável e mais curiosa que encontrei, foi sobre a "pobre execução online do plano" (aqui).

Detalhes à parte, difícilmente conseguirão encontrar um produto com tão boa relação qualidade/preço, principalmente se o tentarem por vias legais. Mas a verdade é que os Radiohead não precisam de fazer nenhuma revolução para fazerem o que se espera deles, e trata-se de facto de um excelente album, cujas raízes podem ser seguidas com facilidade até vários pontos da sua discografia. Deixo as críticas a sério para os profissionais, mas os interessados podem encontrar na Rolling Stone online, um artigo de 01.Out.2007 onde é feita uma brevíssima revisão música-a-música de todo o album, mas mais que isso, com gravações de vídeos das mesmas tocadas ao vivo em concertos antes do lançamento (aqui).

No sotheycanfit, fica o concerto intitulado Scotch Mist que os Radiohead ofereceram aos fãs na véspera de ano novo, numa sessão pré-gravada e transmitida no seu site oficial na mesma noite, onde tocaram ao vivo todas os temas do já famigerado album.

Primeira cinzelada na pedra

Não consigo imaginar melhor forma de desflorar este blog que ao som de Andrew Bird. Foi uma das minhas descobertas musicais do ano transacto e actor principal de um dos momentos altos da minha carreira de espectador, aquando da sua (curta) participação no festival Just Rock? no Transbordeur, Lyon.

Originalmente um violinista, transformado em multi-instrumentalista versado no método Suzuki, e auto-intitulado assobiador profissional, Andrew Bird conta já com 10 trabalhos editados: 7 de estúdio a título próprio ou com a sua banda Andrew Bird's Bowl of Fire, e 3 ao vivo.

Foi às custas da tournée europeia do último, Armchair Apocrypha, onde apareceu acompanhado por Jeremy Ylvisaker (baixo) e Martin Dosh (bateria e teclado), que tive o prazer de assistir a um concerto que me deixou estupefacto. E se as músicas ouvidas do album são já envolventes, então ao vivo, onde se tem a possibilidade de assistir à sua reconstrução, fragmento a fragmento, ganham uma dimensão verdadeiramente arrebatora. Há todo um aspecto voyeurista à mistura, sentimo-nos testemunhas do processo de criação artística, ou pelo menos a um re-run, e chegados ao final há uma espécie de comunhão com a obra, difícil de imaginar possível de atingir de qualquer outra forma.

Para partilhar, eis a gravação humilde, relativamente legal, mas acima de tudo em exclusivo mundial, de duas músicas desse concerto. A primeira é do tema Why (original de 2001, do album "The swimming hour", transformada e reeditada em Fingerlings, 2002). A segunda chama-se "Keep your lamp trimmed and burning" e é um original de Reverend Gary Davis. Mais no youtube.

babyshambles @ lux

é uma questão de perspectiva. o mesmo público que tornaria um fracasso o espectáculo no coliseu encheu até às costuras o espaço cedido pelo lux. o concerto correu bem, com um pete doherty em boa forma. fumou-se em cima do palco e fora dele, bebeu-se santal directamente do pacote e super bock da garrafa. sem quaisquer artificios, os 'shambles fizeram desfilar as suas canções de forma despretensiosa e meio desafinada bem ao jeito brit-cool. em pouco mais de uma hora provou-se um (bom) bocado do mundo desatinado e boémio de pete doherty e dos seus babyshambles. um concerto a que o lux não está habituado, o que se notou na impaciência dos seguranças. só foi pena o cancelamento da primeira parte dos poppers. fica, certamente, para a próxima...

mais fotos em blitz.aeiou.pt.

(as seen on mundo-moderno)

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